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"O sistema é bruto"
Algumas coisas são por demais íntimas, outras acho (eu) deveriam ser expostas, sim. Não gratuitamente, mas porque alguns preconceitos precisam ser quebrados e resolvidos. E nós, seres humanos, temos muitos, apesar de sabermos que, muitas vezes, isso nos limita, emburrece e bestializa. Quando eu era criança, os mais velhos não permitiam que pronunciássemos a palavra "câncer", chamavam "aquela doença", sinônimo de desespero e morte. Hoje em dia a danada continua aí, insuportável, mas agora (também por conta da mídia), cada hora, a turma aumenta. É dengue, é gripe suína, é menigite... Mas o terror mesmo, o que a nossa geração ainda não consegue lidar é o fantasma chamado HIV, o tal vírus a imunodeficiência adquirada, que não é exatamente uma doença e sim uma deficiência, que a depender do organismo do indivíduo, permite que certas doenças se manisfestam, podendo, inclusive levar à morte. Bom, pra que quis dizer tudo isso? Para contar uma experiência que vivi durante alguns dias e que tenho certeza que muitos irão super se identificar. Dia desses resolvi fazer vários exames médicos. Fui ao clínico, ao dentista, dermatologista, ginecologista... Este último me passou uma bateria de exames, após o básico preventivo. Estranhei, porque nunca tinha sido pedido antes. Hipocondríaca, pensei: "Ichiii... Estou doente". Perguntei pra ele, que me disse que eram apenas exames de rotina. "Ok, ok. Rotina?! Tá bom" Na lista tinha exame para detectar silfilis, gonorréia, hpv, hiv... Êta lasqueira. Um filme passou em minha cabeça. Nunca tinha feito essas porcarias antes. Comecei a imaginar glânglios crescendo no meu pescoço, minha cara ficando pálida... "Estava doente, não era possível". Fui no google (Ô peste !!!), pesquisei sobre os exames solicitados e fiquei tensa. Aí pensei: "Ó, vou esquecer por enquanto, viu? Vou marcar minha porra e seguir, sem enlouquecer". Fui lá, fiz os tais exames, já pensando em rasgá-los antes de saber o resultado, imaginei minha reação quaisquer que fossem as respostas, como lidaria com as novidades, enfim... E no meio disso tudo, eu esquecia e ria. Não que minha vida sexual fosse uma maratona, mas qualquer vacilo é um vacilo. E todo mundo está cansado de saber que não existem mais grupos de risco e, sim, comportamentos de risco, que não tem a ver necessariamente com promiscuidade, com libertinagem... Tem a ver com um momento, com uma pessoa, que pode ser o nosso parceiro de sempre, um alicate de salão mal esterelizado, uma mordida (lembra do ladrão nos EUA que foi mordido pela vítima que tinha o vírus e foi infecitado?)... Isso está ali, aqui, onde menos esperamos. Quem vê cara... E isso NÃO é o fim do mundo. Né não? Whatever... Aíiiiiiiiiiiii ontem, terminado os outros exames, apanhei todos, não abri (foi um parto não fazer isso), precisava que um profissional fizesse tal coisa. Até dei uma olhada básica, colocando o papel na contra luz e vi algo tipo NEGATIVO. Pensei: "Hummmmm... Negativo o quê?" E se a pergunta fosse: Ela está bem? NEGATIVO. Nãoooooooooooooooooooooooo. Procurei me distrair até o chamado do doido que tem TOC (Lembra que falei sobre isso? Antes de cada paciente ele arruma a Sala de espera. Põe as revistas no lugar, joga copos no lixo... Maluco mesmo). Chegou minha vez. Aí tome a o dito olhar, analisar, anotar na ficha, fazer cara de "entendido", sacar da folha de receitas, fazer mais anotações, me entregar tudo e me desejar boa sorte. Passada (LÓGICO), perguntei: "Não tenho nada?". E ele: "Não". Só vou passar esse remedinho aí, mas nada demais. Você aqui só no ano que vem. Ainda incrédula, mostrei outros exames (aqueles solicitados por um clínico geral). "Nem verme?". "Nem verme". Ok, ok. Saí dizendo "Graças a Deus !!!" por estar bem e por só vê-lo no ano que vem. Entrei no banheiro e gritei, gritei muito. De alívio. Incrível essa linha que separa o positivo e o negativo, né? Fomos educados achando que negativo era algo ruim. Mas naquele caso, foi a luz, foi a glória, o passaporte para a liberdade. Fiquei feliz, sim. Estou toda organizada. Glicose bem, sangue, plaquetas... super bem cuidada. De bem com o meu fígado. Ontem mesmo, quando cheguei em casa, tomei uma dose de whisky em homenagem a minha creatina. Está tudo tranks. Só uns gases chatos, mas sigamos. No chá de erva doce. Pois é, meus caros. A linha é tênue mesmo. E se a resposta que viesse não fosse a melhor, ainda assim teria que reagir. Com a coragem de quem está viva, de quem respira, de quem tem alegria, de quem só tem motivos pra sorrir, apesar de todas as dores. Viver é de lascar mesmo, mas a gente tem mais é que seguir... Hoje eu morri? Talvez. Mas renasci logo em seguida, hailander, hailander... E de com força. Para morrer hoje em dia basta estar vivo. A minha preocupação era com a AIDS, mas se fosse outra coisa? Temos tantos receios, tantos melindres em falar sobre isso que, muitas vezes, emburrecemos. Em pelo século XXI achamos, inclusive, que esse é o mal do século. O nosso maior problema é o preconceito e o medo de lidar com as nossas escolhas. Além do mais, somos derrubados até por mosquito, côco, alpiste na guela... Lá ele !!! E sigamos. Destemidos.
Escrito por Patrícia Rammos às 13h26
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Que finde bom foi esse?
Primeiro, o FIAC (Festival Internacional de Artes Cênicas), que foi demais, uma canseira, trabalhando que nem louca, depois caindo na farra lá no Barril, na Vasco da Gama, caindo no trampo novamente... tudo perfeito, apesar da morte Neguinho do Samba. Não entendi até agora terem impedido uma peça e a festa de encerramento com a banda de Wagner Moura acontecerem no Pelô por conta disso. Era só fazermos um minuto de silêncio, os tambores rufarem e as bandas seguirem seu rumo e sua vida. O cara era um papa da música, logo música seria a melhor forma de homenageá-lo, mas vai entender, né?
Whatever... But eu, a Preta Santiago, Vitória-Regis e Senna fomos à Borracharia e fizemos nossa "homenagem" pra ele. Silêncio? Oi? Depende de referencial. Ê noite boa danada !!! Para mim, com amigos, música, alegria, cachaça e Deus no coração a gente não precisa de mais nada. Né não? Estava sem tempo. Nem mostrei nossas fotos no shw de Márcia Castro, no Parque da Cidade, há algumas semanas. Um calor escaldante, mas foi bem divertido. E viva Neguinho do Samba e o seu Samba Reggae !!!
Com Karol e Debs no show de Marcinha
Pretas no Pos Tudo - Antes da Borracharia No domingo, fui pro Sauipe Folia ver minha Timba. Bom demaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaais, apesar de tudo ser artificial. Me desculpem os frequentadores, mas odeio Sauipe. Gosto de mato, de mar, de areia... tudo de verdade. Lá... não né? As pessoas quietas, quase mortas... E segundo Sérgio, o que eu concordo, às vezes, o show parece cópia de DVD... Curto da mesma forma, mas me mandei com a galera. Paramos numa praia, na linha verde, atrás do som de um carro. Quase um show de raggae. Muuuuuuuuuuuuuuito divertido !!! Valeu pela turma (uma gangue), pela alegria, porque a gente se diverte sempre... e, principalmente, porque na minha cabeça, diversão é de dentro pra fora. O resto é Ibsen. Ui. (Quero as fotos, hein, gente? E é uma ameaça !!!) E viva a Timbalada e o seu Timbau !!! Na segunda, feriadão, estava enlouquecida, trancada no escritório da Quatro Produções com meus sócios, numa reunião eteeeeeeeeeeeeeeeerna. Saí de lá as 19 horas. Surreal. Muitas coisas a resolver, todas resolvidas. Trabalhamos e rimos muito também. Porque somos divertidos. Vem aí o Festival Nacional de Teatro. Uma loucura boa !!! Nada melhor do que comemorar o dia dos finados com vida, com trabalho, com os amigos. Dia produtivo da porra. E viva a Quatro Produções artísticas e sua "quadrilha" !!! Agora estou aqui, acabei de dar um mergulho no Porto, fazer algumas ligações, me matricular numa escola de boxe (TPM bombando)... estou feliz, graças a Deus !!! Fim do ano chegando, me livrando de coisas, assumindo outras... Produzindo, desproduzindo, "vivendo e aprendendo a jogar"... com alegria e leveza !!! O pior já passou !!! Êta ano bom da porra !!! Mas ainda não acabou, né? Vamos que vamos. Muitos abadás. E quem quiser que me siga. Beeeeeeeeeeeeeeeeeeijo.
Escrito por Patrícia Rammos às 16h48
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